5 de fev de 2012

Rock e psicodelia com a banda Te Voy a Quebrar


( Por Mary Camata) Fugindo do estereótipo de algumas bandas cariocas com letras fáceis e que retratam histórias de amor com ritmo melódico, a banda Te Voy a Quebrar (TVAQ) realmente quebra este paradigma resgatando a boa fama do rock pesado.  O som sujo com guitarras pesadas misturando influências do stoner rock (termo utilizado para descrever subgênero com riffs de guitarra graves e lentos), a banda também viaja em uma mistura de metal e heavy metal inspirados por nada mais nada menos que na lendária Black Sabath.

Na estrada há oito anos, a banda passou por várias fases até chegar à maturidade de uma boa banda de rock. Com músicas que relatam histórias e metáforas, a banda tem se destacado na cena underground carioca, conquistando espaços em diversas casas do Rio de Janeiro e São Paulo.

Com um super clipe recém lançado, o baixista da TVAQ, Bruno Pavio, falou sobre as influencias da banda, clipe, grandes shows, cena independente e até explicou o nome exótico da banda:

De onde surgiu o nome exótico da banda Te Voy a Quebrar?

TVAQ:
Quando montamos a banda, tivemos muita dúvida que nome escolher. Estávamos no olho do furacão começando a definir o som e dentre as opções que a gente tinha, apareceu este nome que apesar de oficialmente em castellano ser um erro gramatical, era o grito da revolução zapatista. Nada haver com o que pensam que somos violentos apesar da banda ser composta a maioria por praticantes de lutas, somos idealistas que amaríamos viver em um mundo mais justo e menos desigual. Te Voy a Quebrar também é uma expressão mexicana que quer dizer algo como "vou te dar um tiro."

Quais seriam as influencias da TVAQ?

TVAQ: Não é muito fácil dizer quais as influências de uma banda por cada integrante acabar tendo a sua e isso fica bem pessoal. Musicalmente falando, é bem evidente nossa influencia em Black Sabath. Acho que todos ouvem muita coisa, porém que chegue a influenciar nossa música acho que além de Black Sabath seria Down, Eyehategod, High on Fire, The animals, Johhnny Cash e também um pé no Motorhead.   Se Elvis é o rei, Lemmy é Deus... ah Elvis também vai, quem não curte?

Quais foram os melhores shows que a TVAQ já fez durante estes oito anos de estrada?

TVAQ – Difícil responder essa pergunta. Todos os shows pra mim são muito relevantes. Não importa se tem vinte pessoas ou 20 mil pessoas vendo a gente tocar. A gente se apresenta do mesmo jeito e com emoção. Uma vez tocamos em um tributo ao Dia das Bruxas comemorando o aniversario de 40 anos do 1º álbum do Black Sabbath., foi inesquecível. Curtimos muito também quando tocamos no show da banda paulista Garotos Podres numa tour com as bandas Bambix (Holanda) e Nitrominds (São Paulo).

A gente ama muito tocar na região dos Lagos (RJ) é sempre demais tocar lá. Em São Paulo também fizemos bons shows, me sinto injusto citando um só. Vale citar a mini tour que fizemos com os camaradas da banda O Cúmplice quando descemos juntos pra Curitiba, mas como eu disse, cada shows que a banda faz é inesquecível para gente.

Como vocês avaliam o cenário para as bandas independentes no RJ?

TVAQ: A cena do Rio é que nem o mundo da moda, cíclico. Acho que toda cena talvez tenha andado um pouco em baixa de uns anos pra cá, sem muitas opções de lugares legais para tocar e muitas vezes sem produtores. Estava bem fraco. A gente mesmo até fez umas coisas. Temos um selo aqui no Rio de Janeiro chamado Asa Negra com uma galera de banda e alguns colaboradores e as vezes rolam uns eventos legais realizados pelo Asa Negra produções.

Hoje a cena está melhor. Nossos amigos da áudio Rebel continuam firme e fortes ajudando a cena, meu amigo Tony movimentando com todo coração também um dos bares mais legais do RJ, o Saloon que virou uma casa de shows/festas muito rock. Tem também a galera q faz a festa A Grande Roubada que não tivemos o prazer de tocar ainda, mas que sempre realizam ótimos eventos e o camarada Marcelo Rastapunk que tinha uma das melhores casas do Rio, a Rock N’ Drinks q infelizmente fechou, mas era perfeita. São pessoas com esse pensamento e dedicação que não podem faltar pra rolar uma cena sólida e concisa para as bandas independentes no RJ.

O que a Te Voy a Quebrar geralmente aborda em suas letras?
TVAQ:
Nossas letras têm de tudo um pouco, mas vai muito da época da banda. Quando começamos éramos uma banda muito próxima da cena hardcore. Tínhamos uma pegada mais louca e nessa época as letras estavam extremamente politizadas. 

O último EP que lançamos em grande parte algumas passagens instrumentais foram inspirado em obras de H.P. Lovecraft e outra parte em formas de terror fantástico e psicológico com metáforas voltadas a sociedade moderna e contemporânea, pois a banda toda leu as mesmas coisas e assistiu os mesmos filmes. As letras são do Alejandro (guitarrista/vocal) que é formado em letras, enfim, Colour out of space, pra quem conhece Lovecraft vai sacar que a obra inspirou a canção.

Vocês acabaram de lançar um clipe novo que faz parte do último EP de vocês. Como foram as gravações e quais são as expectativas da banda para 2012?


TVAQ: Bom, tá vindo coisa nova por aí. Apesar do clipe ter acabado de sair, esse Split já tem mais de um ano e foi um cd que gravamos com os camaradas da banda O Cúmplice (RJ). Como nossas músicas são bem longas, temos menos faixas no cd, mas estamos bem satisfeitos com a gravação.

O clipe lançado é da música “Colour out of Space” e tem a direção do Blake Farber que voltou ao Brasil de Nova York para terminar os últimos detalhes do nosso clipe. A música tem mais de sete minutos e fizemos uma espécie de curta com atores profissionais, tivemos muita sorte de nossos amigos quebrarem essa, não só dois amigos atores profissionais que participaram como outros personagens representados por amigos e o povo da produção e meninas do figurino foram todos os mais gente boas possíveis. Tem cena no deserto, em um bosque, nas dunas, na caverna e a imagem foi o ponto forte. Os planos são divulgar esse vídeo o máximo que pudermos já q demorou pacas a sair e infiltrar o som e vídeo da banda nos nichos que forem bem aceitos. E claro, esperamos gravar esse ano nosso full lenght finalmente. Aguardem.!





* Esta matéria foi publicada no site da Revista Rockazine e recebeu atualização no Blog.

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