22 de jul de 2011

O triste fim da Banda Lopes

Por Mary Camata

Foi com um grande susto que li a notícia dada pelo próprio Lopes de que uma das bandas mais bacanas da cena underground de Cuiabá estava anunciando seu fim. No começo juro que nem acreditei.
Minha história com a Lopes é bonita, tenho um carinho enorme pelos meus “queridinhos”. Pude assistir a banda Lopes em dois estados diferentes. Assisti shows em Rondônia e depois em Tocantins quando eu fui trabalhar em um Festival. Sempre digo que o Rodrigo Lopes, vocalista da banda tinha cara de tudo, menos de vocalista de banda de rock, mas quando o loirinho subia ao palco, era impossível não parar e ficar admirando a performance e a sintonia deste mega power trio, os queridinhos da banda Lopes como eu mesmo intitulei-os.

Em uma entrevista que fiz para a revista Rockazine eu descrevi: “Lopes. Um sujeito loirinho, baixinho, sem tatuagem, cabelo curto e com cara de gente boa. Jamais imaginei o que ele faria no palco. Impossível ver Lopes e seus dois “meninos” Danilo Sossai (baixista) e Rubão Lisboa (baterista) subirem ao palco e não ficar admirada com o timbre da voz de Lopes e suas caras de mal, se transformando em uma figura completamente “rock and roll”. Lopes é rock com a mais perfeita química. Foi assim minha primeira impressão ao ver a banda Lopes lotar shows com inúmeros fãs cantando suas músicas cheias de mensagens de “acorda aí meu povo, olha o que está virando este mundo”.

Então, posso dizer com todas as letras que o rock fica órfão de uma banda que transmite sua mensagem e muito bem, diga-se de passagem, considerada não só por mim, mas por muitos críticos como uma banda importante na cena do rock independente. Fico triste de saber que o rock independente, que não é tão independente assim, deixa de ter mais uma grande banda que protestava com letras inteligentes por onde quer que passasse. Abaixo, segue a carta de despedida do vocalista da banda Lopes, Rodrigo Lopes:

“Venho amadurecendo essa idéia já faz um tempo, uns 6 meses mais ou menos, desde que comecei a minha formação para ser piloto de aeronave. Há uma semana atrás conversei com os meus companheiros de banda e, eles entenderam meus motivos e, não se opuseram, atitude que tornou a ação mais tranqüila. Os motivos, são vários mas, vou citar pelo menos dois, os principais e fundamentais: 

1°- Preciso estar com a minha cabeça pelo menos 90% vazia (já que 100% é impossível) para poder me dedicar à aviação, que a partir de agora será a minha prioridade e futura profissão.

2°- O segundo já é mais complexo, mas vamos lá. Durante 16 anos profissionalmente (pois dos 12 aos 15 foi o descobrimento), me dediquei à música na perspectiva de um dia viver (financeiramente) da mesma, nunca tive banda por hobbie, para comer menininha, pra ter acesso a drogas ou cachaça, e até mesmo para só “fazer um som”, o ultimo exemplo talvez seja o caso da maioria. Sempre me dediquei 100%, na tentativa de sempre fazer o melhor e ser o mais profissional possível. Com o LOPES, meu ultimo e definitivo projeto, estou desde 2004, ou seja 7 anos e, não vejo perspectiva nenhuma de alcançar o meu objetivo (viver de uma banda), o cenário Nacional de uma forma geral com algumas exceções é desolador, amador e desrespeitoso para com o “artista sério”. Não quero mais alimentar um sonho inalcançável. Ser independente é ser altamente dependente, o único caminho de verdade ainda é o mainstream, as gravadoras, Domingão do Faustão, rádios convencionais, MTV , etc. Esses, com certeza, só querem um rosto bonito que faça uma musica bem idiota, para agradar um povo mais idiota ainda, que é o Brasileiro (não é a toa que mais de 80% dos candidatos não passaram no teste da OAB, a trilha oficial hoje dos universitários é o “SERTANEJO UNIVERSOTÁRIO”).

E assim resolvi dar um basta e abrir mão de um projeto que investi durante 7 anos, o LOPES. Desde já quero agradecer demais a todos que de uma forma ou de outra sonharam comigo, em especial minha esposa Caroline e meus companheiros de banda Rubão Lisboa, Danilo Sossai e não menos Ricardo Felippo. Sem drama nenhum, acreditem, não levo magoas e nem acho que foi “TEMPO PERDIDO” mas, minha trajetória na música acaba aqui, pelo menos em banda, fazendo show, estou pendurando a chuteira, passando o bastão, e que venham as próximas gerações.

Resolvi escrever para evitar disse que disse e, para não ter que explicar para um por um isoladamente. Não vou mais conversar sobre esse assunto, o mesmo está sepultado. Lembrando que, o Estúdio Riff (ensaio, gravação e locação) continua firme e forte.”

É Lopes, a gente vai ficar aqui torcendo muito não só por ti mas também pelos seus companheiros e grandes músicos Rubão e Danilo para que continuem fazendo sucesso e que sejam felizes da melhor maneira possível, mas uma coisa não podemos negar e não tem como apagar: A BANDA LOPES É O ROCK.

2 comentários:

Danilo Sossai disse...

Poxa Mary valeu mais uma vez por todo apoio e saiba que vc tbm é muito querida por todos nos do Lopes.

O pouco ou o muito para alguns como eu, que Lopes escreveu em sua história pelo rock foi registrada por você em palavras e imagens.

Muito obrigado de todo coração.

André Brasil - Rad Rocker disse...

Mary, já disse e volto a dizer, a Banda Lopes escreveu uma das histórias mais profissionais de Cuiabá. Somos carentes de profissionais, somos fartos de amadores estrelas, que brigam por uma cena que não existe. Somos, os roqueiros, meia dúzia de gato pingado. Lopes vai fazer falta. Muita falta. Ficamos orfãos, mas, entendemos a apoiamos a decisão dele :)